A Contribuição Batista para a Educação Brasileira
Resumo Livro: A Contribuição Batista para a Educação Brasileira
INTRODUÇÃO:
A obra educacional dos batistas teve um marco positivo de evangelização através da construção de escolas, a qual envolveu grandes investimentos financeiros e recursos humanos significativos. Essa inspiração veio da Junta Richmond (agência missionária dos Batistas norte-americanos), sendo sustentada pela mesma. A preocupação do livro é apresentar fatos históricos, explanando obras de autores, documentos oficiais e livros de estudiosos da educação brasileira; fugindo sempre que possível das interpretações pessoais. Veremos sobre a origem do protestantismo e as várias denominações, os primeiros batistas no Brasil e seu projeto educacional, os períodos da educação batista; e por último o Colégio Batista Brasileiro em São Paulo.
1 - ESBOÇO HISTÓRICO:
A reforma protestante começou com Lutero no século XVI. A partir daí surgiram diferentes denominações protestantes, com vários enfoques doutrinários e múltiplas formas de governos eclesiásticos. Por exemplo: Os metodistas têm um governo episcopal, subdividido em regiões e sua ênfase teológica centralizada no social. Já o governo dos presbiterianos é congregacional. Existem muitas teorias sobre a origem dos batistas. O livro nos apresenta três delas: a primeira é a J.J.J. (Jerusalém-Jordão-João), sem apoio histórico; a segunda é a do parentesco com os anabatistas do século XVI, que reforça a idéia de cristãos comprometidos, resistindo à idolatria e a corrupção da igreja católica; e a terceira vem dos separatistas ingleses do século XVII, que após fazer uma pesquisa sobre a prática do ensino neotestamentário na Inglaterra e na Holanda, o Sr. Thomas Helwys organizou a primeira igreja batista inglesa. O nome batista foi dado pelos seus inimigos, que se opuseram à sua doutrina, afim de, ridicularizá-los e descaracterizá-los. O nome permaneceu, e tudo indica que os batistas até gostaram do seu nome, mesmo que a princípio tenham visto nisso um “ar de deboche” de seus opositores. As igrejas protestantes têm sua origem em Jesus Cristo e seus princípios e doutrinas no Novo Testamento. São elas: a Doutrina das escrituras, a Doutrina de Jesus Cristo, a Doutrina da salvação e a Doutrina da igreja. A igreja batista americana foi fundada por cristãos que vieram da Inglaterra por causa da perseguição. Segundo Vedder, os batistas americanos assumiram uma grande obra educacional, se colocando a serviço do povo. Foram criadas várias frentes missionárias e escolas que exerceram forte influência nas comunidades por causa do alto nível de ensino. O progresso da igreja batista americana foi adotado por outros países e no ano de 1929, os batistas norte-americanos já mantinham 18 seminários teológicos e 146 universidades e colégios.
2 – PRECURSORES DA OBRA BATISTA NO BRASIL:
A chegada dos missionários americanos ao Brasil aconteceu no século XIX. O Brasil passava por profundas mudanças em sua política e economia. Nesse período surgiram os anarquistas, que eram contra a igreja, o governo e a propriedade privada. Apesar das dívidas, o Brasil desenvolveu-se muito na indústria, sendo beneficiado também com investimentos estrangeiros na construção de ferrovias, energia elétrica, água e outros... A situação entre os trabalhadores era precária e 90% da população era analfabeta. O primeiro trabalho evangélico com brasileiros foi em 1860. O imperador chegou a elogiar pelos “seus conhecimentos e serviços práticos que poderiam prestar”. As contribuições (testemunho) para o progresso da cidade ou região foram feitas por colonos americanos, em sua maioria eram batistas, metodistas e presbiterianos. Esses “elogios” despertaram os batistas americanos que a partir daí enviaram o primeiro casal de missionários para o Brasil. Em 10 de setembro de1871, foi fundada a Igreja Batista em Santa Bárbara, com o objetivo de atender os colonos no Brasil. Seus cultos eram ministrados em inglês, porém com o tempo essa igreja desapareceu. A organização da primeira igreja batista brasileira foi em Salvador-BA em 15 de outubro de 1882 com o pastor Bagby e Taylor. A obra se expandiu, vindo depois a: - 1ª Igreja Batista do Rio de Janeiro, em 24 de agosto de1884; - 1ª Igreja Batista de Maceió, em 17 de maio de 1885; - 1ª Igreja Batista do Recife, em 04 de abril de 1886; - 1ª Igreja Batista de São Paulo, em 04 de julho de 1899; O pastor Bagby e sua esposa sentiram a necessidade da obra educacional e esse trabalho foi facilitado por vários motivos. São eles: - O povo demonstrou interesse na educação de seus filhos; - Necessidade de mostrar aos católicos alto nível intelectual; - Necessidade de formar lideranças; - A dificuldade de alunos evangélicos nas escolas católicas; Foi a partir da necessidade de um alto nível de intelectual, que os batistas adquiriram o respeito dos católicos e penetraram com mais vigor na obra evangelizadora entre os nacionais.
3 – O QUE OS BATISTAS QUERIAM COM A EDUCAÇÃO:
Para entendermos o trabalho dos Batistas com a educação, precisamos conhecer o sistema de educação no Brasil. O sistema de Educação brasileiro, em sua maioria escolas católicas, agia com preconceito aos filhos de protestantes e discriminava as crianças pobres, oriundas de famílias do povo. Veja o que diz Mein “tal sistema educativo, contudo, resultou em tanto analfabetismo por parte do Brasil, que o povo comum ficava ansioso por qualquer oportunidade de estudar”. As propostas de educação dos batistas tinham os seguintes enfoques: - Fidelidade ao evangelho e à apresentação da pessoa de Jesus Cristo como mestre por excelência; - Preocupação com o analfabetismo, porque ele é o responsável e causador de atraso; - Co-educação; - Ênfase as atividades extra-classe; - Exemplo de vida, como ilustração concreta dos seus princípios, organização e métodos; - Respeito à liberdade religiosa; - Preocupação com a qualidade do corpo docente; - Participação no atendimento dos alunos carentes e aos órfãos; - Seriedade no cumprimento das obrigações do Estado, sem subserviência; - Currículo dinâmico (ênfase à necessidade de adaptar a criança ao seu meio físico, intelectual e espiritual); - Preocupação com as condições de trabalho dos professores, servidores e alunos; - Metodologia influenciada pelos norte-americanos, dentro do espírito da Escola Nova; - Empenho na democratização do relacionamento professor-aluno; Para melhor compreensão da obra educacional batista, veremos os cinco períodos de sua contribuição à educação brasileira: O Primeiro período (1888-1898), as escolas tinham sido abertas por membros das igrejas e missionários particulares, experimentando alguns fracassos. O Segundo (1898-1907), a denominação batista comparece com pouco apoio afetivo. O Terceiro começa a partir da criação da Sociedade Educandária da Convenção Batista Brasileira em 1907. Os batistas como denominação, contribuíram de forma efetiva, abrindo várias escolas, em média de umas sessenta, em vários estados brasileiros. O Quarto período, já por volta de 1936, a Convenção Batista Brasileira concede a participação dos próprios brasileiros na participação na direção das escolas. O último período se inicia quando a Junta Richmond suspendeu seu apoio financeiro à obra educacional batista. Essa suspensão financeira foi gradual para não atrapalhar no avanço da educação. O patrimônio deixado pela Junta Richmond aos colégios equivalia a 30 milhões de dólares. Os batistas brasileiros nos anos 40 criaram o Conselho Batista de Educação com o intuito de congregar e ajudar os colégios no Brasil.
4 – O COLÉGIO BATISTA BRASILEIRO DE SÃO PAULO:
Era favorável o momento em que foi fundado o Colégio Batista Brasileiro de São Paulo, porque a igreja católica se distanciava cada vez mais do governo e já não conseguia resolver seus problemas educacionais, favorecendo assim as escolas particulares. O contexto social, político, econômico e religioso do Brasil deram boas condições à educação batista. O Colégio foi comprado pela professora Anna L. Bagby, que passou por alguns problemas financeiros que foram superados. Desde o seu início a bíblia foi adotada, e era ensinada todos os dias. A expansão foi quase que obrigatória para atender a demanda; acompanhada da necessidade dos transportes escolares, serviços prestados a comunidade, cursos e etc. Segue-se abaixo a estrutura dos cursos, serviços e publicações: a) Cursos - Jardim de Infância; - Primário; - Ginásio; b) Serviços - Biblioteca; - Enfermaria; - Conservatório de Música; - Cursos de desenho e pintura a óleo; c) Publicações - Juventus – jornal mensal: trabalho de alunos; - Cruzeiro – álbum ilustrado publicado anualmente, com aspectos da vida do aluno; - Recado – jornalzinho dos coordenadores e orientadores do CBB; - Boletins mensais; O Colégio Batista de São Paulo dispunha de bolsas de estudos e atenção a alunos pobres. Esses alunos recebiam bolsas integrais e alimentação. Já em seus planejamentos e visando a formação de obreiros, no ano de 1957 foi criada a Faculdade Teológica do Colégio Batista Brasileiro de São Paulo. No ano de 1975 o Colégio Batista atingirá a marca de 1700 alunos, aumentou o serviço na área social e passou a administrar um orfanato, que algum tempo depois foi desativado por aumentarem o número de escolas no país, cedendo o lugar para o desdobramento de classes. As informações sobre o Colégio Batista Brasileiro de São Paulo estão demilitada entre 1902-1983.
CONCLUSÃO:
O livro mostra a fidelidade dos batistas em cumprirem fielmente aos objetivos fixados. Todo o trabalho educacional foi criado com o propósito de evangelizar os brasileiros. A menção do Colégio Batista de São Paulo, da-se pelo seu excelente desempenho dentro e fora da instituição, mostrando-nos que valeu à pena.
Vagner Mello


